Região Brasil

Dinheiro esquecido em bancos cai para R$ 6,24 bilhões

Transferência de R$ 5,7 bilhões reduziu o saldo disponível, mas milhões de brasileiros e empresas ainda têm valores para receber

Autor
Dinheiro esquecido em bancos cai para R$ 6,24 bilhões
Foto: Divulgação

O Banco Central informou nesta terça-feira (14) que brasileiros e empresas ainda têm R$ 6,24 bilhões esquecidos em bancos e outras instituições financeiras. O saldo caiu depois que o governo transferiu R$ 5,7 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que apoia o programa Desenrola Brasil.

Apesar da redução, milhões de pessoas ainda podem recuperar valores pelo Sistema de Valores a Receber (SVR). Atualmente, 24,08 milhões de pessoas físicas e 2,27 milhões de empresas aparecem no sistema com algum dinheiro disponível.

Por que o valor do dinheiro esquecido caiu?

Nos meses anteriores, o volume de recursos esquecidos no sistema financeiro ultrapassava R$ 10 bilhões. No entanto, a transferência de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações derrubou o saldo disponível.

O governo realizou a operação com base na Lei 14.973/2024. A legislação autorizou a transferência dos valores que permaneceram sem pedido de resgate dentro do prazo determinado.

Com isso, o governo destinou os recursos ao FGO, mecanismo que oferece garantias financeiras ao programa Desenrola Brasil.

Ao mesmo tempo, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa a operação e avalia a utilização desse dinheiro em programas federais.

Ainda assim, o Banco Central informou que pelo menos 10% do valor transferido continua reservado. Dessa forma, o governo poderá atender eventuais pedidos de devolução apresentados posteriormente pelos titulares.

Quanto dinheiro ainda está disponível para saque?

Dos R$ 6,24 bilhões que continuam disponíveis, a maior parte pertence a pessoas físicas.

Ao todo, 24,08 milhões de brasileiros têm R$ 4,44 bilhões para receber. Enquanto isso, cerca de 2,27 milhões de empresas concentram outros R$ 1,8 bilhão.

Desde que criou o Sistema de Valores a Receber, o Banco Central já devolveu R$ 15,47 bilhões aos respectivos titulares.

Portanto, apesar do volume já resgatado, uma parcela significativa do dinheiro ainda permanece parada nas instituições financeiras.

Onde está concentrado o dinheiro esquecido?

Os bancos concentram a maior parte dos recursos que ainda aguardam resgate. Atualmente, essas instituições têm R$ 2,91 bilhões para devolver aos clientes.

Além disso, outras instituições financeiras também acumulam valores que pertencem a pessoas e empresas.

A distribuição ocorre da seguinte forma:

  • Administradoras de consórcio: R$ 2,25 bilhões;
  • Cooperativas de crédito: R$ 586,7 milhões;
  • Instituições de pagamento: R$ 311,5 milhões;
  • Financeiras: R$ 106,3 milhões;
  • Corretoras e distribuidoras: R$ 71 milhões;
  • Outras instituições: R$ 8,8 milhões.

Assim, embora os bancos liderem o volume de dinheiro esquecido, diferentes segmentos do sistema financeiro ainda mantêm recursos disponíveis para devolução.

Quem pode ter dinheiro esquecido?

Pessoas físicas e empresas que tiveram algum relacionamento com instituições financeiras podem encontrar valores disponíveis para resgate.

O dinheiro pode vir, por exemplo, de contas encerradas que ainda tinham saldo. Além disso, o sistema também reúne valores relacionados a tarifas cobradas indevidamente e parcelas de empréstimos cobradas acima do valor correto.

Da mesma forma, clientes podem ter dinheiro proveniente de consórcios encerrados, cotas de cooperativas de crédito e contas de investimento fechadas.

Por isso, mesmo quem acredita não ter nenhum valor esquecido pode fazer a consulta. O procedimento é gratuito.

Maioria dos beneficiários tem até R$ 10 para receber

Apesar de o sistema reunir bilhões de reais, a maior parte dos beneficiários tem pequenas quantias disponíveis.

Segundo os dados, 67,6% das pessoas e empresas cadastradas têm até R$ 10 para receber.

Em seguida, 19,5% possuem valores entre R$ 10,01 e R$ 100.

Além disso, 10,4% dos beneficiários têm entre R$ 100,01 e R$ 1 mil disponíveis.

Por outro lado, apenas 2,46% das pessoas e empresas possuem mais de R$ 1 mil para resgatar.

Portanto, embora poucos beneficiários tenham valores elevados, o grande número de contas e cadastros explica o volume bilionário que ainda permanece sem resgate.

Como consultar e pedir o dinheiro de volta?

O Banco Central permite que qualquer pessoa consulte gratuitamente o Sistema de Valores a Receber.

Primeiro, o interessado precisa informar o CPF ou o CNPJ. Depois, o sistema mostra se existe algum valor disponível.

Para solicitar a devolução diretamente pela plataforma, o usuário precisa acessar uma conta Gov.br de nível prata ou ouro.

Além disso, quem não possui uma chave Pix pode entrar em contato diretamente com a instituição responsável e combinar outra forma de pagamento.

O Banco Central também permite o resgate automático para pessoas físicas que utilizam o CPF como chave Pix.

Nesse caso, depois que o usuário ativa a funcionalidade, o sistema pode transferir automaticamente novos valores identificados. Assim, o titular não precisa fazer um novo pedido sempre que surgir outro recurso disponível.

Entretanto, a modalidade ainda não atende empresas, contas conjuntas e instituições que não aderiram ao sistema de devolução automática.

Herdeiros também podem consultar valores

O sistema também permite consultar valores deixados por pessoas que morreram.

Nesse caso, herdeiros, inventariantes, testamentários ou representantes legais podem verificar a existência de recursos.

Depois da consulta, os responsáveis precisam entrar em contato com a instituição financeira que guarda o dinheiro para solicitar a liberação.

Dessa forma, valores que pertenciam a pessoas falecidas também podem chegar aos beneficiários legais.

Mesmo depois da transferência de R$ 5,7 bilhões para o fundo ligado ao Desenrola Brasil, o sistema financeiro ainda mantém R$ 6,24 bilhões à espera dos respectivos donos.

Por isso, o Banco Central recomenda a consulta ao sistema oficial. Afinal, milhões de brasileiros e empresas ainda têm dinheiro disponível e podem solicitar a devolução.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

Ver todas as matérias de Ismael Melo