
Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, mudanças na voz e dificuldade para engolir podem sinalizar câncer de cabeça e pescoço. Nesta terça-feira (14), durante a campanha Julho Verde, especialistas reforçam a importância de procurar atendimento médico ou odontológico quando os sintomas duram mais de 15 dias. Afinal, o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento e ajuda a preservar funções essenciais, como falar, respirar e se alimentar.
Sintomas exigem atenção
O câncer de cabeça e pescoço reúne diferentes tipos de tumores. A doença pode atingir a boca, a língua, a garganta, a laringe, a cavidade nasal, os seios da face e a tireoide.
Por isso, os sintomas variam conforme a região afetada. Ainda assim, alguns sinais aparecem com mais frequência e precisam acender o alerta.
Entre eles estão feridas ou úlceras na boca que não cicatrizam, manchas vermelhas ou brancas, sangramentos sem causa aparente e caroços nos lábios, na boca ou no pescoço.
Além disso, a pessoa pode apresentar rouquidão persistente, dor de garganta contínua, dificuldade para mastigar, engolir ou falar. Em alguns casos, o paciente também perde peso sem explicação ou sente algo preso na garganta.
No entanto, esses sintomas não confirmam o diagnóstico de câncer. Infecções, inflamações e outras doenças também podem provocar sinais semelhantes. Mesmo assim, quando o quadro persiste, o paciente deve buscar avaliação profissional.
Prazo de 15 dias serve como referência
O Instituto Nacional de Câncer orienta que feridas na boca, alterações na voz, rouquidão ou outros sintomas persistentes sejam investigados quando duram mais de 15 dias.
Nesse cenário, o paciente pode procurar uma unidade de saúde, um dentista ou um médico otorrinolaringologista. Esses profissionais avaliam os sinais, solicitam exames e, quando necessário, encaminham o paciente para um serviço especializado.
Além disso, a rapidez no atendimento pode mudar o rumo do tratamento. Quando a equipe médica identifica o tumor nas fases iniciais, ela consegue adotar procedimentos menos agressivos e aumentar as chances de preservar a fala, a mastigação, a deglutição e a respiração.
Apesar disso, muitos brasileiros ainda descobrem a doença em estágios avançados. Pesquisa divulgada pelo INCA em 2025 apontou que cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço analisados no país receberam diagnóstico tardio. O levantamento avaliou mais de 145 mil casos registrados entre 2000 e 2017.
Tabaco e álcool elevam o risco
O tabagismo aparece como um dos principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço. Além disso, o consumo frequente de bebidas alcoólicas aumenta ainda mais a possibilidade de desenvolver a doença.
Quando a pessoa combina cigarro e álcool, o risco cresce de forma significativa. Isso acontece porque as duas substâncias agridem repetidamente os tecidos da boca, da garganta e da laringe.
Ao mesmo tempo, a infecção pelo papilomavírus humano, o HPV, ganhou importância nos últimos anos. O vírus está relacionado, principalmente, aos tumores que atingem a orofaringe, região localizada no fundo da garganta.
Da mesma forma, a exposição excessiva ao sol sem proteção aumenta o risco de câncer nos lábios. Por isso, especialistas recomendam o uso de protetor labial, chapéus ou bonés durante atividades ao ar livre.
Portanto, para reduzir os riscos, a população deve evitar o tabaco, moderar o consumo de álcool, proteger os lábios do sol e manter a vacinação contra o HPV em dia.
Tratamento também inclui reabilitação
O cuidado com o paciente não termina quando os médicos controlam ou retiram o tumor. Dependendo da localização da doença e do tratamento adotado, a pessoa pode enfrentar dificuldades para falar, engolir, mastigar ou respirar.
Por esse motivo, uma equipe multidisciplinar costuma acompanhar o paciente. Médicos, dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos trabalham juntos para reduzir complicações e recuperar funções.
Além disso, cirurgias, sessões de radioterapia e quimioterapia podem afetar estruturas delicadas da boca, do rosto e da garganta. Dessa maneira, a reabilitação deve começar cedo e acompanhar todas as etapas do tratamento.
Enquanto isso, o apoio psicológico também ajuda o paciente a enfrentar mudanças na aparência, na comunicação e na alimentação. Assim, o tratamento busca não apenas combater o tumor, mas também preservar a qualidade de vida.
Diagnóstico precoce aumenta chances de cura
O corpo costuma dar sinais quando algo não vai bem. Portanto, uma ferida que não cicatriza ou uma rouquidão que não melhora não deve fazer parte da rotina.
Ao perceber sintomas persistentes, a pessoa deve procurar atendimento. A avaliação pode descartar uma doença grave ou identificar o tumor ainda no início.
Quanto mais cedo o diagnóstico acontece, maiores são as possibilidades de tratamento e recuperação. Informação, prevenção e atendimento rápido formam, portanto, o caminho mais seguro para enfrentar o câncer de cabeça e pescoço.

