
O mercado financeiro reduziu de 5,30% para 5,16% a previsão da inflação brasileira em 2026. O Banco Central divulgou a nova estimativa nesta segunda-feira (13), por meio do Boletim Focus. As instituições financeiras revisaram os números após avaliarem os dados mais recentes da economia. Apesar da queda, a projeção ainda supera o teto da meta oficial.
Analistas reduzem projeção pela segunda semana
Os economistas consultados pelo Banco Central cortaram a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pela segunda semana consecutiva.
Na semana anterior, o mercado projetava inflação de 5,30%. Agora, portanto, a mediana das previsões caiu para 5,16%. Há quatro semanas, os analistas também estimavam um índice de 5,30%.
A revisão indica uma percepção um pouco mais favorável sobre o comportamento dos preços. Ainda assim, o mercado mantém cautela, principalmente porque a inflação projetada continua acima do limite oficial.
Inflação ainda supera teto da meta
O Conselho Monetário Nacional fixou a meta de inflação em 3%. Além disso, definiu uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Com isso, o teto da meta chega a 4,50%. Portanto, a previsão de 5,16% ultrapassa esse limite em 0,66 ponto percentual.
Embora o mercado tenha reduzido a estimativa, os números ainda mostram pressão sobre os preços. Por isso, o Banco Central deve continuar acompanhando com atenção o comportamento da inflação antes de acelerar novos cortes nos juros.
Para 2027, por outro lado, os analistas elevaram a previsão de inflação de 4,18% para 4,20%. Já para 2028, mantiveram a estimativa em 3,70%. Além disso, preservaram a projeção de 3,50% para 2029.
Assim, o mercado espera uma desaceleração gradual da inflação nos próximos anos. No entanto, esse processo deve ocorrer de forma lenta.
Mercado mantém previsão para a Selic
Ao mesmo tempo, as instituições financeiras mantiveram em 14% ao ano a estimativa para a taxa Selic no fim de 2026. O mercado preserva essa projeção há três semanas.
Atualmente, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária, o Copom, reduziu a Selic em junho.
Antes disso, o colegiado já havia promovido cortes em março e abril. Mesmo com as reduções, porém, os juros continuam elevados.
O Banco Central usa a Selic como principal instrumento para controlar a inflação. Quando ele aumenta ou mantém os juros em patamar alto, o crédito fica mais caro. Como consequência, famílias e empresas reduzem o consumo e os investimentos. Dessa forma, a demanda perde força e a pressão sobre os preços tende a diminuir.
Para 2027, o mercado manteve a previsão da Selic em 12% ao ano. Já para 2028, os analistas elevaram a estimativa de 10,25% para 10,50%. Por fim, mantiveram a projeção de 10% para 2029.
Mercado prevê crescimento de 1,99% para o PIB
Os economistas também mantiveram em 1,99% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026.
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Portanto, o indicador mede o desempenho da economia brasileira.
Embora o mercado tenha mantido a previsão para este ano, os analistas reduziram a estimativa para 2027. A projeção caiu de 1,69% para 1,65%.
Para 2028 e 2029, entretanto, as instituições mantiveram a expectativa de crescimento em 2%.
Os números apontam estabilidade para a economia em 2026. Ao mesmo tempo, revelam cautela para os anos seguintes. Isso ocorre porque os juros elevados encarecem os financiamentos, reduzem o consumo e dificultam novos investimentos.
Dólar deve terminar o ano em R$ 5,20
No mercado de câmbio, os analistas mantiveram a previsão de que o dólar encerrará 2026 cotado a R$ 5,20.
Para 2027, o mercado também preservou a estimativa de R$ 5,28. Já para 2028, reduziu levemente a projeção de R$ 5,35 para R$ 5,34.
Por fim, as instituições mantiveram em R$ 5,40 a previsão para a moeda norte-americana em 2029.
Portanto, o novo Boletim Focus trouxe um sinal de alívio ao reduzir a projeção da inflação para 2026. Mesmo assim, o índice ainda permanece acima do teto da meta oficial.
Diante desse cenário, o Banco Central deve manter a cautela. Além disso, a autoridade monetária continuará avaliando os preços, o ritmo da economia e o comportamento do câmbio antes de definir os próximos passos da política de juros.

