
A soroterapia feita por Virginia Fonseca nos Estados Unidos voltou a chamar atenção nesta sexta-feira (10). A influenciadora mostrou o procedimento nas redes sociais e recomendou a experiência aos seguidores. No entanto, médicos alertam que a aplicação intravenosa de vitaminas exige indicação clínica, exames e acompanhamento profissional.
Além disso, especialistas afirmam que a ciência ainda não comprovou benefícios consistentes da soroterapia para pessoas saudáveis. Por isso, a divulgação do procedimento como fonte de energia, imunidade ou bem-estar preocupa entidades médicas.
Procedimento leva substâncias direto ao sangue
A soroterapia administra líquidos, vitaminas, minerais e outras substâncias diretamente na corrente sanguínea. Dessa forma, o organismo recebe os componentes de maneira rápida, sem depender da absorção pelo aparelho digestivo.
A medicina utiliza esse recurso em situações específicas. Médicos podem indicar a terapia para tratar desidratação, deficiências nutricionais comprovadas, problemas de absorção intestinal ou dificuldades para receber nutrientes pela alimentação.
Entretanto, o profissional precisa avaliar cada paciente antes da aplicação. Para isso, deve analisar o histórico de saúde, os sintomas, os medicamentos em uso e os resultados dos exames.
Depois, o médico define quais substâncias serão aplicadas. Além disso, estabelece a dose, a diluição e o tempo de infusão. Portanto, o procedimento não deve seguir fórmulas prontas ou protocolos iguais para todos.
Estudos não confirmam promessas populares
A soroterapia ganhou espaço em clínicas que prometem mais energia, melhora da imunidade, rejuvenescimento e aumento da disposição. Contudo, pesquisas científicas ainda não confirmaram esses efeitos em pessoas saudáveis e sem deficiências nutricionais.
A aplicação pode corrigir a falta de vitaminas quando exames comprovam o problema. Porém, não há evidências robustas de que doses extras melhorem o desempenho físico, a aparência ou o bem-estar de quem já possui níveis adequados desses nutrientes.
Além disso, relatos individuais de melhora não comprovam a eficácia do método. Muitas pessoas podem sentir efeitos temporários por causa da hidratação, do repouso durante a aplicação ou do efeito placebo.
Por isso, os pesquisadores precisam realizar estudos controlados. Eles também devem comparar grupos, medir resultados e acompanhar os pacientes por períodos mais longos.
Aplicação pode causar complicações
Embora muitas pessoas associem vitaminas apenas a benefícios, o excesso também pode prejudicar a saúde. Doses elevadas de algumas substâncias podem sobrecarregar os rins e o fígado.
Além disso, certos nutrientes podem provocar alterações na pressão, arritmias, náuseas, dores de cabeça e problemas neurológicos. Em casos mais graves, o excesso pode causar intoxicação.
O próprio acesso venoso também envolve riscos. A aplicação pode provocar sangramento, inflamação, infecção e lesões na veia.
Da mesma forma, o paciente pode sofrer reações alérgicas ou apresentar desequilíbrios de minerais no organismo. Além disso, algumas substâncias podem interagir com medicamentos usados no dia a dia.
Por essa razão, pessoas com doenças renais, cardíacas ou hepáticas precisam de atenção redobrada. Esses órgãos controlam o metabolismo e a eliminação das substâncias presentes no sangue.
Soroterapia não substitui hábitos saudáveis
Especialistas também rejeitam a ideia de que a soroterapia funcione como solução rápida para emagrecer, fortalecer a imunidade ou retardar o envelhecimento.
O procedimento não substitui uma alimentação equilibrada. Além disso, não elimina a necessidade de atividade física, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento médico.
A soroterapia também não provoca emagrecimento por conta própria. Quando o paciente apresenta uma deficiência nutricional, o médico pode incluir a reposição no tratamento. Ainda assim, a aplicação atua apenas como apoio.
Da mesma forma, nenhuma evidência sólida mostra que infusões vitamínicas rejuvenescem pessoas saudáveis. Portanto, clínicas e influenciadores precisam ter cuidado ao divulgar promessas desse tipo.
Influência nas redes amplia preocupação
A publicação de Virginia também reacendeu o debate sobre a responsabilidade de influenciadores ao falar sobre procedimentos de saúde.
Embora a influenciadora tenha compartilhado uma experiência pessoal, milhões de seguidores podem interpretar a publicação como recomendação médica. Com isso, algumas pessoas podem procurar o tratamento sem avaliar os riscos.
Além disso, cada organismo apresenta necessidades diferentes. Um procedimento indicado para determinada pessoa pode não ajudar outra. Pelo contrário, pode causar complicações.
Por isso, médicos orientam o público a não procurar a soroterapia apenas por influência de celebridades, publicidade ou tendências nas redes sociais.
Antes de qualquer aplicação, o paciente deve consultar um profissional habilitado. Também precisa realizar exames e confirmar se existe uma necessidade real de reposição.
A medicina reconhece a importância da terapia intravenosa em casos específicos. No entanto, a ciência ainda não sustenta o uso indiscriminado da soroterapia em pessoas saudáveis.
Portanto, a recomendação exige cautela. Em saúde, uma promessa rápida pode esconder riscos que o brilho das redes sociais não mostra.

