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Passageiro pode cobrar app por falha em corrida

MPSC orienta usuários sobre indenização em casos de violência, acidente, ameaça ou risco durante viagens por aplicativo

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Passageiro pode cobrar app por falha em corrida
Foto: Arquivo / Divulgação / Prefeitura de Navegantes

Passageiros que sofrem violência, acidente, ameaça, assédio ou qualquer situação de risco durante uma corrida por aplicativo podem denunciar a empresa e pedir indenização. O alerta ganhou força em Santa Catarina depois que o Ministério Público de Santa Catarina abriu uma apuração contra uma plataforma de transporte. A investigação começou após uma jovem ser atropelada por um motorista de aplicativo em Florianópolis.

Agora, o MPSC quer saber quais medidas a empresa adota para proteger os usuários. Além disso, o órgão cobra explicações sobre os canais de atendimento, os mecanismos de segurança e a resposta da plataforma em situações graves.

Plataforma também responde pelo serviço

As empresas de transporte por aplicativo não apenas conectam motoristas e passageiros. Elas vendem um serviço. Por isso, devem cumprir o Código de Defesa do Consumidor.

Na prática, a plataforma precisa garantir segurança, informar o usuário com clareza e agir rapidamente quando ocorre uma falha. Além disso, deve oferecer canais eficientes para denúncia e suporte.

Portanto, quando um passageiro sofre algum dano durante a corrida, a responsabilidade não recai apenas sobre o motorista. A empresa também pode responder pelos prejuízos, já que participa diretamente da prestação do serviço.

Caso em Florianópolis acendeu alerta

O debate avançou depois que uma jovem foi atropelada por um motorista de aplicativo na Capital. Diante do caso, a 29ª Promotoria de Justiça de Florianópolis instaurou uma Notícia de Fato para apurar a atuação da plataforma.

Em seguida, o MPSC pediu informações à empresa. No entanto, como não recebeu resposta dentro do prazo inicial, enviou um novo ofício na quinta-feira, 2 de julho.

Com isso, o Ministério Público busca verificar se a plataforma cumpre as regras de proteção ao consumidor. Caso identifique falhas, o órgão poderá cobrar mudanças e exigir novas medidas de segurança.

Usuário deve reunir provas

Quem passa por uma situação de risco durante uma corrida deve agir rápido. Primeiro, o passageiro precisa registrar a denúncia dentro do próprio aplicativo. Depois, deve guardar todos os documentos relacionados ao caso.

Prints de conversas, recibos, dados da viagem, placa do veículo, nome do motorista, comprovantes de pagamento e relatos de testemunhas ajudam a comprovar o ocorrido. Além disso, em casos de agressão, ameaça, assédio ou acidente com vítima, o usuário deve registrar boletim de ocorrência.

Essas provas fazem diferença. Sem elas, o caso perde força. Com elas, o passageiro consegue mostrar o caminho do problema, do embarque ao prejuízo.

Indenização pode incluir dano moral e material

O passageiro pode pedir indenização quando sofre algum prejuízo ligado à corrida. A reparação pode cobrir danos materiais, como gastos médicos, transporte extra, objetos danificados e outras despesas.

Além disso, o usuário também pode cobrar danos morais quando enfrenta violência, humilhação, medo, ameaça, assédio ou exposição indevida. Nesses casos, a Justiça avalia o impacto da situação na vida da vítima.

Portanto, a denúncia não serve apenas para relatar o problema. Ela também pode abrir caminho para a reparação dos danos.

Procon, polícia e Ministério Público podem ser acionados

Depois de registrar o caso no aplicativo, o passageiro pode procurar o Procon. O órgão de defesa do consumidor pode cobrar explicações da empresa e orientar o usuário sobre os próximos passos.

Além disso, o consumidor pode acionar o Ministério Público pela Ouvidoria ou pela Promotoria de Justiça da comarca. Já quando houver suspeita de crime, a vítima deve procurar a polícia e registrar boletim de ocorrência.

Assim, o caso ganha tratamento em diferentes frentes. A plataforma responde pelo serviço, o Procon atua na defesa do consumidor, o Ministério Público fiscaliza o interesse coletivo e a polícia investiga possíveis crimes.

MPSC pode exigir mudanças da empresa

Se a apuração apontar falhas, o Ministério Público pode propor um Termo de Ajustamento de Conduta. Nesse acordo, a empresa assume compromissos para melhorar a segurança, o atendimento e a resposta aos usuários.

No entanto, se a plataforma não aceitar corrigir os problemas, o MPSC pode entrar com ação civil pública. Nesse caso, a Justiça pode obrigar a empresa a adotar novas medidas de proteção.

O recado, portanto, é simples. Corrida por aplicativo começa na tela do celular, mas a responsabilidade não fica presa ao aplicativo. Ela acompanha o passageiro do embarque ao destino.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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