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Abandono no ensino médio cai ao menor nível desde 2007

Taxa chegou a 2,5% nas escolas públicas em 2025, após avanço do programa Pé-de-Meia

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Abandono no ensino médio cai ao menor nível desde 2007

O abandono escolar no ensino médio público caiu para 2,5% em 2025 e atingiu o menor patamar desde 2007, início da série histórica acompanhada pelo Ministério da Educação. Os dados são do Censo Escolar de 2025 e foram divulgados pelo MEC na sexta-feira (26). Segundo o governo federal, a queda ocorreu após a implementação do Pé-de-Meia, programa que paga incentivo financeiro a estudantes da rede pública para estimular a permanência na escola.

Queda chega a 34% após início do programa

De acordo com os dados divulgados, o abandono no ensino médio caiu 34% na comparação com 2023, ano anterior ao início do Pé-de-Meia. Com isso, o indicador passou a mostrar uma melhora mais forte justamente no período em que o governo ampliou a política de incentivo à permanência escolar.

Além disso, o resultado reforça uma tendência de recuperação da educação básica após os impactos da pandemia. Em 2022, por exemplo, a taxa de abandono no ensino médio público era de 5,6%. Portanto, em três anos, o país reduziu o índice em mais da metade.

Ainda assim, especialistas tratam o tema com cautela. O programa ajuda a explicar parte do avanço, mas não permite, sozinho, concluir que toda a melhora veio do pagamento das bolsas. Outros fatores também influenciam a permanência dos estudantes, como busca ativa, transporte escolar, alimentação, ensino em tempo integral e reorganização das redes estaduais.

Como funciona o Pé-de-Meia

O Pé-de-Meia paga incentivo financeiro a alunos do ensino médio público. O objetivo é simples e direto: reduzir o abandono e estimular a conclusão dos estudos.

O estudante recebe parcelas mensais, desde que comprove frequência mínima de 80% das aulas. Além disso, o programa prevê depósitos anuais em uma espécie de poupança, que pode ser sacada após a conclusão de cada ano letivo. Também há valor extra para quem faz o Enem.

Somados os incentivos mensais, os depósitos anuais e o bônus pela participação no exame, o aluno pode acumular até R$ 9.200 ao longo do ciclo escolar.

Inicialmente, o governo direcionou o benefício a estudantes de famílias atendidas pelo Bolsa Família. Depois, ampliou o programa para alunos da Educação de Jovens e Adultos e para inscritos no Cadastro Único.

Distorção idade-série também recua

A melhora não aparece apenas no abandono. O MEC também registrou queda na distorção idade-série, indicador que mede o percentual de estudantes com dois anos ou mais de atraso escolar.

Segundo os dados divulgados, o índice caiu de 24,3% em 2022 para 17,6% em 2025. Na prática, isso significa que menos alunos seguem presos em séries incompatíveis com a idade esperada.

Esse ponto importa porque o atraso escolar aumenta o risco de abandono. Quando o estudante acumula reprovações ou fica muito distante da turma da própria faixa etária, ele tende a se afastar da escola. Por isso, reduzir a distorção ajuda a manter o jovem dentro da sala de aula.

Aprovação melhora e reprovação cai

O Censo Escolar de 2025 também mostra avanço nas taxas de aprovação. No ensino médio, o índice chegou a 94,8%. Já a reprovação caiu de forma expressiva nos últimos anos.

No ensino médio público, segundo o MEC, a reprovação recuou 62% em três anos. Esse movimento, por um lado, aponta melhora no fluxo escolar. Por outro, exige acompanhamento das redes de ensino para garantir que a aprovação venha acompanhada de aprendizagem real.

Em outras palavras, manter o aluno na escola é uma vitória. No entanto, garantir que ele aprenda continua sendo o coração do desafio. Sem isso, o dado melhora no papel, mas a vida do jovem pouco muda.

Ensino médio ainda concentra o maior desafio

Apesar da queda, o ensino médio segue como uma das etapas mais sensíveis da educação brasileira. Muitos jovens deixam a escola por necessidade de trabalhar, dificuldades de transporte, gravidez, problemas familiares ou falta de conexão com o currículo.

Por isso, políticas de permanência ganham peso. Quando o estudante recebe apoio financeiro, ele encontra uma barreira a menos para continuar estudando. Ao mesmo tempo, a escola precisa oferecer sentido, acolhimento e perspectiva de futuro.

O novo resultado mostra avanço concreto. Contudo, também cobra continuidade. Afinal, reduzir o abandono é abrir uma porta. Fazer o jovem atravessar essa porta, concluir os estudos e chegar melhor ao mercado de trabalho ainda é a missão maior.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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