
Uma auditoria independente revelou que o ex-presidente e o ex-diretor financeiro do Banco de Brasília (BRB) ignoraram regras de governança e conduziram decisões estratégicas à revelia de controles internos, segundo e-mails analisados no relatório divulgado nesta terça-feira (07), em Brasília, com o objetivo de esclarecer operações suspeitas envolvendo aumento de capital e compra de ativos.
Gestão pressiona e acelera aumento de capital
De acordo com o relatório, os ex-gestores atuaram diretamente para pressionar acionistas a comprar ações do banco com recursos ligados ao Banco Master. Com isso, o BRB conseguiu elevar rapidamente seu capital.
Além disso, fundos vinculados ao Banco Master compraram cerca de R$ 1 bilhão em ações. Na prática, os recursos circularam entre instituições, o que acendeu o alerta sobre a origem do dinheiro. Assim, a auditoria identifica um movimento coordenado e fora dos padrões esperados de governança.
Diretoria ignora alertas e aprova ativos problemáticos
Na sequência, os e-mails mostram que a diretoria avançou na compra de ativos considerados de alto risco, mesmo diante de alertas técnicos internos. Ainda assim, a gestão aprovou as operações.
Segundo a auditoria, essas carteiras chegam a aproximadamente R$ 12 bilhões e incluem operações classificadas como irregulares. Ao mesmo tempo, cerca de 95% dos ativos adquiridos pelo banco nos últimos dois anos têm origem no Banco Master. Com isso, o nível de concentração aumenta e eleva o risco da operação.
Relatório segue para órgãos de controle
Diante dos indícios, o banco decidiu encaminhar o relatório para órgãos de fiscalização. Entre eles estão Polícia Federal, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários e Ministério Público.
Além disso, a instituição deve divulgar um fato relevante ao mercado nos próximos dias. Dessa forma, o caso ganha escala e entra no radar das autoridades.
Apuração foca na alta gestão
A auditoria não aponta envolvimento direto do ex-governador do Distrito Federal. Por outro lado, concentra a análise na atuação da alta cúpula do banco.
Além disso, o relatório cita ao menos dez funcionários em cargos de chefia. Ainda assim, os documentos indicam que as decisões partiram, principalmente, dos principais executivos. Ou seja, a condução das operações teria ocorrido de cima para baixo.
Caso amplia cobrança por transparência
Com a divulgação dos e-mails, o caso ganha força e amplia a pressão por transparência na gestão de bancos públicos. Ao mesmo tempo, investidores, autoridades e o próprio mercado acompanham os desdobramentos.
Agora, o cenário muda. A investigação avança, a responsabilidade começa a ser cobrada e o BRB entra no centro de um debate que vai além do financeiro. Envolve confiança, gestão e credibilidade.

