
O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu a montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista na chamada “lista suja” do trabalho escravo. A atualização, divulgada nesta segunda-feira (6), acrescentou 169 novos nomes ao cadastro, que agora reúne 613 empregadores.
Criado em 2003, o cadastro lista pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, após decisão administrativa definitiva. Embora não gere punições diretas, o instrumento orienta bancos e empresas na concessão de crédito e na assinatura de contratos.
Fiscalizações apontam irregularidades com cantor
No caso de Amado Batista, fiscais autuaram o cantor em duas operações realizadas em 2024, em Goiás. Ao todo, as equipes resgataram 14 trabalhadores em atividades ligadas ao cultivo de milho.
Além disso, os auditores identificaram jornada exaustiva, com trabalho da madrugada até a noite, o que viola a legislação trabalhista.
Trabalhadores são resgatados em obra da BYD
Por outro lado, a BYD entrou na lista após fiscais resgatarem trabalhadores chineses durante a construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia. Inicialmente, a operação encontrou 163 pessoas em situação irregular; posteriormente, esse número subiu para 224.
Ainda que a empresa alegasse terceirização, os auditores reconheceram vínculo direto com os trabalhadores.
Além disso, a fiscalização constatou jornadas de até 70 horas semanais, acima do limite legal de 44 horas. Também verificou condições degradantes nos alojamentos, como falta de camas adequadas e número insuficiente de banheiros.
Entenda como funciona a “lista suja”
Por fim, o governo mantém o nome dos empregadores na lista por dois anos. No entanto, eles podem sair antes desse prazo caso regularizem a situação e firmem acordo com o ministério.
Apesar de não aplicar punições diretas, a lista impacta o mercado, já que bancos e empresas utilizam o cadastro para restringir crédito e contratos com os envolvidos.

